18 de jul de 2017

D’Arte

A competência de um poeta
não é causar a emoção de uma música,
que batalha entre silêncio e ruído
para se fazer ouvir!

A competência de um poeta
é despertar a euforia
de bailar com o silêncio sentido das palavras,
dança declamada, arte esférica!

É quase de morte sua solução,
causar estalos de consciência...
promover sucintos despertares...
dar orgulho a quem aprendeu a ler...

Só é aturdido pela poesia
quem esqueceu da superficialidade
&quem muito viveu para ter conteúdo
a ser agitado nas profundezas...

É como a lembrança de um encanto
que sempre esteve lá,
pensado& agora dito, escrito,
velado pelo silêncio de quem nunca desdisse....

Os sons soltos no ar violentam a mente,
Mas os poemas seduzem
abrem olhos, pernas, braços, sorrisos, poros
de quem aprendeu a se dar prazer...

Por isso cante seus poemas
sozinh@ ou acompanhad@
&no silêncio de seu espírito
rodopie com seu Daimon de dança & arte!



15 de jul de 2017

Ontos


•Água Benta•

Se tudo é líquido & nada é para durar, 
o que explica a duração do poder dessa geografia corporal marinha? 
Litorais sem limites...
Sinta-se à vontade para liquidar os pudores... 
O oceano está aí à devolver cadáveres machos...
Ondas de arrebentação: "Nada é mais forte que o impacto da carne sobre a carne"... 
& até as anti-marés que regem a reação de toda censura teme o poder aquático do feminino...
O homem não quer a liberdade, 
ele quer apenas a graça de não temer algo mais forte que sua brutalidade...
Por isso, o oceano inconsciente do feminino há de nos afogar, 
& devolver chumbo à praia, para a mulher nos fazer barro de novo!



Facebook-09/07

•Lvx & Volvpia•

Afinal, quem poderá nos condenar por isso?
Tiranos metafísicos, morais, psicológicos?
Afinal, fomos condicionados para lutar ou perder?
Tiranos, como nós, só conhecem a indulgência & a Vontade de Potência!




Facebook-09/07

•Psicopompos Absynto•

Dragão verde rastejando na losna
Se ergue em asas de fadas para deflorar uma rosa,
Do alto abismo cai com sua luz verde
Os incêndios de néon do Absinto inerte,
Nem fada, nem dragão, nem losna, apenas puer
A embriaguez é a visão delirante dessa mulher.




Facebook-07/07

•Gigantomachia•

Minha alma inteira é de pedra
E no meio dela tem um fosso
Que engole tudo
Parece que sinto falta de me sentir triste
Parece que amei tanto a queda
Que agora devo ser fiel à ela...
Encontrei uma menina com o coração rasgado
Ela pensava ser de pedra
Mas era só o chão onde uma rosa tinha crescido
Agora, machucada, ela quer endurecer
Mas é só uma forma de proteger sua flor...
Ela ainda há de ser leve...
Como o peso da nossa queda...




Facebook-04/07

•Voragem•

Desejar
tem que ser por inteiro
como se o outro fosse
a falta
& a saciedade...
Quando a beijar,
sentir que bebe
a água mais fresca
com a sede mais profunda,
Quando a comer,
sentir que devora
o prato mais raro
com a fome mais intensa.
Amar,
só assim,
um desesperado
que encontra ar depois de afogar;
Qualquer outra forma
é continuar na superfície!




Facebook-11/06

• αναφιλια •

Vou inventar um nome para essa sensação de ter o coração preso à você,
Vou construir um conceito extenso 
como as horas do dia em que meu pensamento se volta pra você,
Vou registrar o título dessa patologia de obsessão por você;
O sentido que não quero esquecer!
O conceito que quero compreender!
A enfermidade da qual não quero ser curado!




Facebook-21/05

• Poemnα •

Ela nasceu poesia,
mas por falta de alguém para lê-la
foi se decompondo...
...por isso estou sempre
voltando a você
te compondo
recompondo
repondo você ao devido lugar:
Na minha lembrança como presença
que um dia você vai ser
a afirmação & testemunha
de todo meu ponderar...
Vem ocupar seu lugar
entre as palavras
ser & estar
(Comigo).




Facebook-13/05

7 de jul de 2017

Meu Livro de 'Amor Demais'



 Tenho um livro que às vezes, simplesmente por ser vivo,
some da minha instante...
                                                    mesmo sendo meu... ele é livre & amante...

Eu não sei aonde ele vai que não fica ali constante, como convém,
aos livros que resolvi guardar...
                                                          para reler... & decorar...

É um livro de poemas
os primeiros que, um dia, li cheio de encanto apenas...
                                                     iniciado... na possibilidade da poesia...

Foi ele que me fez querer, além do beijo de uma galega,
compor poesia também...
                                               sem ter medo de rimar... & me expor...

Não sei! Acho que esse livro viaja para algum além quando, em entremeios,
a própria poesia me escapa...
                                                                 como o folego... despacho....

É que hoje eu o procurei, pelo peito cheio de muito estar
ausente de mim também o coração...
                                     & a vontade de continuar, mesmo assim... compor Você & Eu...

Segui então sua trilha de vacância em vacância por entre cada livro empoeirado
pela ânsia de não serem lidos...
                                                             deixados... no rodapé da vida...

Mas o meu livro de poemas do Vinicius foi novamente visitar o sumiço
da vontade nunca tida de não-te-amar...
                                                              à distância mesmo... mesmo como poesia só...

Deve estar em algum lugar, um bar, uma arca, um quarto de amar,
uma casa de número 107, onde eu também devo ir, por crer
                                que é possível à todo mundo amar... com ardor de Amor Demais...

Meu livro de poemas não quer sumir, ele só quer me mostrar o modo poético de ser,
amar é nunca negar que as coisas do coração são assim...
                         estão & não estão aqui... por habitar não estantes...
mas Sentimentos!



1 de jul de 2017

Aedo Kaos - Tiresias

o poema [é como] um feitiço
(sigilo ocasional de inspiração sacra)
                                       com ele o poeta/mago engendra
o que foi, o que é & o que será...
magia marginal [nos] limites do dito

                                               como cego vidente
pressagia o passado
revela o presente
& modifica o futuro
                                 de acordo com sua vontade

& modifica o passado
pressagia o presente
& vela o futuro

&...
desnudo
                                   muda
                                                                                              se transforma também
de masculino [no] feminino
de positivo no negativo
do passivo ao ativo
do carinho na tortura
        pelas palavras...
da palavra ao labor da não-paz...
                               dá visão à voz...
incendeia os olhos leitor...

magia das palavras
                            língua que fornica
          com colapsos de onda
na urdidura da possibilidade
                                                                                           o poeta abraça & abarca
                                                                                            o caos da totalidade...


27 de jun de 2017

.:S.A.U.D.A.D.E:.

Poema I

 .:N.Ó.S.T.O.S:.

Hoje está mais cortante
   mais afiada do que nunca
      como lâmina de bisturi...
Hoje está mais pesada
   mais titânica do que sempre foi
      como o tom das toneladas...
Hoje está mais caustica
    mais acida do que consigo aguentar
       como magma nas entranhas da memória...
Hoje a saudade cobra seu saldo,
    em todas as fogueiras sob as estrelas,
        em toda a distância que pensamento nenhum cobre
           & nenhuma dobra une......
Vem & me mata de excesso, não de carência
      não me deixe acrescer mais conteúdo à essa palavra
         que começa com sal das lágrimas
            & termina com as eras da impossibilidade.
Saudade, palavra atual de toda falta
    corte, peso, dissolução
      que ata, dá asas, coagula
         o sentimento que não passa!

Poema II
 .:Á.L.G.O.S:.

Saudade certeza
    de que o passado foi bom
       & o amanhã será perfeito!
Saudade ilusão
    de que ontem eu sentia saudade
       e hoje eu sinto desolação!


Nota
.:G.E.N.E.A.L.O.G.I.A:.
-Saudade: lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possui-las, nostalgia.

-Nostalgia: melancolia, saudade. Vocábulo criado pelo médico suíço Hofer em 1678, composto por nóstos (regresso) + álgos (dor).