13 de nov de 2017

Naxos - Um poema introduzido pelo Alfabeto Dançante Vultur-Ariacna


Alfabeto-Dançante Vultur-Ariacna

Explanação acerca do Portfólio

   A ideia deste ensaio imagético surgiu com a busca iniciada em trabalhos passados, onde em uma série de ensaios com temas filosóficos-poéticos procura-se romper com a repetição do discurso e das ideias...

   Este “portfólio” de trabalhos gráficos é um avanço nessa direção, compondo uma obra imagética munida de imagens que simulam movimento de dança baseadas no alfabeto grego transliterado para o latim, é o que chamo de “Alfabeto-Dançante Vultur-Ariacna”.

   Essa obra de emanarte é também uma sequência do manifesto “Vultur”, que defende a obra de arte como emanação fisiológica & pneumática por parte do ar-tista, o Vultur, e é também o prelúdio para uma obra a ser publicada em futuro próximo, um romance-vultur de amor-fati, que conta uma breve história de uma paixão trágica.

   Aqui, para dar presença à esse Alfabeto-Dançante, invoco a mitológica Ariana, ou Ariadne, do mito do Minotauro e Teseu, que é representada justamente como a “dançarina” aracnídea das ilustrações. Nessas paragens ela já está em companhia do Vultur, o abutre dionisíaco que a conduzira, como psicopompo à ilha de Naxos, onde será coroada rainha por Dionísio, e iniciada nos mistérios do além-amor.
   Enquanto o Vultur faz sua aparição como o abutre, aquele que vem para ver, ouvi e transmutar o mito, rompendo com a significação do mito em si e implementando mais uma “novidade”, que é justamente a questão da Linguagem, que expande o que já foi dito no manifesto Vultur. Os interessado podem ler mais a respeito no ensaio anterior disponibilizado ao público em www.texturadoabismo.blogspot.com.br (in CodexTexturial).

   Neste presente trabalho não há nenhuma intenção de refletir, prolongar ou acrescentar nada ao mito, além de ser um simples trabalho gráfico, emanado e exposto (pois os parâmetros emanativos usados aqui serão usados na referida obra futura) sendo este trabalho apenas uma apresentação dos “porquês” deste tipo de composição, que não caberiam na próxima obra.
    Assim, este portfólio é apenas um prelúdio gráfico ao que virá, introduzindo graficamente, para reflexões mais tardias, sobre a relação da língua escrita, o pensamento e a dança.
   O que fica aqui é a apresentação deste Alfabeto-Dançante, com breves e aleatórias composições nessa dança-língua, complementadas com um poema final onde se expõe algumas possibilidades emanatórias.

E se nos comunicássemos dançando... se o silêncio fosse interlúdios entre passos de uma bailarina... Essa é a ideia primordial neste Portfólio apresentado aqui... Prelúdios para danças emanadas presentes e futuras...


Micro-Obra: 





1 de nov de 2017

Rotos - Rotas Vultur de Rompimentos


Vultur – Ar\/tista, fisiológico & pneumático.
Vultura – Cultura\/Culto Vultur voltado para o público.
Vultuar – ou Fultuar - Processo de apreensão temporal onde o Vultur
       percebe que o Tempo corre ao contrário do entendido pelo senso
       comum, percorrer o tempo do futuro para o passado, como uma
       sombra flutuando sobre a realidade.
Vulture – Desen\/voltura interior do Ar-tista.
Vulturo – Forma Vultur de designar o futuro, de onde partimos no tempo.
Vulturlorgia – Sabedoria do Êxtase Emanador de um Vultur, compõe-se
       de Vultur + Logia + Órgia.
Vulto – ou Fulto, ou Fulcro - A coisa dada e acabada presente no futuro
       que impulsiona ou impressiona a consciência Vultur a redefinir o
       passado.
Transfinição – Redefinir o sentido de um termo, palavra, imagem,
       sentimento, coisa, etc.
Textura – Texto, geralmente de escrita automática, com diversos termos 
       autorreferentes entre si que transmitem uma ideia maior.
Sentir – O momento percebido do choque entre o exterior e interior, não
       importando de onde partir a volição para a impressão.
Rotunda – Encadeamento circular-espiral de Transfinições.
Roto – Aquilo que se rompeu.
Rompimento – Ato Vultur de findar e reiniciar um círculo, romper é
       inseminar, em analogia à concepção sexual.
Rompante – Ato de nudificar, expor uma ideia Vultur, em
       encadeamento, rotundamente.
Obrar – Defecar, aqui, o resultado da emanação da digestão Vultur.
Nada – O Todo escatológico da emanação. O Ilimite do prazer ou de
       qualquer sentimento ou sensação.
Laimosphilia – Paixão sensual pelo pescoço, costas e dorço.
Ilimite – A espiral continua do poder emanador do Vultur.
Kundalini – Energia sexual masculina.
Futere – Copular, Foder.
Fohat – Energia sexual feminina.
Expansão – Estado alterado de consciência produzido pelo Baedario.
Êxtase Feio – Sentimento extático alcançado pelo descondicionamento
       estético padronizado em comum.
Emanarte – Obra emanada pelo Vultur.
Dis-Curso – Entender e comunicar uma Transfinição.
Daimon – Gênio, Inspiração, Consciência superior em gozo Dionisíaco.
Corpusemorganum – Corpo transfinido de suas funções vitais e voltado
       para a Emanarte.
Corpo de Baile – O corpo como instrumento de êxtase.
Corpo – Universalidade Única, ou seja, tudo que existe tem um corpo, 
       mas cada corpo é único.
Caos – O Todo ontológico da emanação. O Ilimite da emanção ou de
       qualquer coisa material.
Baedario – Palavra bárbara para qualquer substância enteógena,
      expressa também uma Teoria dos Sonhos, Sabedoria Onírica.
A-fundar – Subir às alturas do êxtase e desse ato emanar a obra.
Abismo – A abertura emanativa da consciência Vultur.
& - Sinal emanativo gráfico que indica dois termos que se auto-definem
      mutuamente em uma totalidade, completude, e expande a ideia
      geral sobre o conceito. Representa tanto a ampulheta do tempo
      reverso (futuro-presente-passado), um corpo em posição de leitura e
      obrando.
De - Sinal emanativo gráfico que indica o gênio inpirador do Vultur, seu
      Daimon (D) de êxtase (e), composto por letras gregas, o Delta
      maiúsculo simbolizando o corpo físico e suas energias e o Épsilon
      minúsculo representando as asas do abutre e seu voo, que são sinais
      da emanação, seu gozo.
\/ - Sinal emanativo gráfico que indica a presença de uma Transfinição.
       Representa simbolicamente as asas do Abutre que levou a coisa

       para a digestão nas alturas.



-Baixe a Micro-obra completa:


VULTUR - Daimon ekstasis

Vultur apresenta um ponto de rompimento artístico, e traz uma nova afirmação do objetivo da poética para os dias de agora. Com textos e poemas dissonantes para com o momento intelectual, expressa uma tentativa de extrapolação por parte do autor, cheios de significações que merecem ser entendidos cada qual como manifesto, da mesma forma dissonante, de uma nova forma de conceber o Artista e a Arte.
    Parto do princípio de poesia não como criação, mas como Emanação, que creio enfim ser o conceito correto para a manifestação artística, não mais arte, mas Emanarte.
    Vultur se refere ao Vulture, o Abuttre, e é dessa ave que retiro toda a simbologia viva para compor a imagem do ar-tista, um elemento alada e carniceiro, pois possui as asas da imaginação que o êxtase proporciona ao corpo, onde ocorre a digestão das substancias que o Vultur ingere para transmutar em obra.
    Emanando essa proposta físico-espiritual de atuação artística na micro-obra “Vultur”, trago um rol de emanações poéticas que refletem o momento de rompimento para com uma noção de arte que me guiou até então, um rompimento que desvela e emenda pontas em toda minha composição até então, redefinindo finalmente tudo que foi criado até então como emanado fisiologicamente tendo em vista o que o futuro apresenta.
    A micro-obra contém além de poemas-reflexões, imagens criadas pela estética enphlexyon, remete às nuances psiconáuticas e gnósticas de outros trabalhos, além de reverberam a mutação neologista de muitos esforços para expandir a palavra para o campo do puro pensamento. Alguns poemas mais recentes postados aqui na Textura do Abismo também compõem a micro-obra ganhando finalmente seu alinhamento o qual essas texturas pressagiavam, a vinda de Vultur. Ao fim a obra contém o Primeiro Dis-curso de Vulturlorgia expondo uma espécie de manifesto fisiológico-estético-intelectual que compactua Saber & Orgia.
    Vultur como emanação ar-tística e estilística faz reverência à Austin Osman Spare, Friedrich Nietzsche, Hakim Bey, Guimarães Rosa, Heidegger, os Surrealistas entre muitos outros que do futuro foram emendados formando o composto total que ainda se desenvolverá para dar sentido à um movimento cultural que já se enraíza nos dias de hoje, abrindo uma senda artística, intelectual e amoral que se confrontará com os tempos áridos de repressão que se erguem.
   Contra tudo isso a proposta em suspenso e emanadora de Vultur é uma: libertar o Daimon pessoal de cada um, fazer vulto no presente, desmoralizar as ideias através da nudificação das palavras e discursos vazios e sentido que as sustem...
    O Daimon do Êxtase alça voo, a estética da super-sensualidade e êxtase-feio arroga-se como asa negra sobre uma sociedade ultra-iluminada por luz de neon.
    Vultur vem futere com tudo isso!

 Micro-Obra completa em PDF:



30 de out de 2017

• O Toque do Acaso •

Amar é encontrar o Inesperado;
só há amor na Gratuidade,
sem medos, apenas espanto...
Re-conhecer no inesperado a Esperança,
Re-conhecer na gratuidade a Graça.
Quantos estão preparados
para encontrar
a Graça da Esperança?
Só quem, por acaso,
o amor encontrou!
Essa 'coisa-caso' que muda tudo...




-Facebook 28/10/17

• Objeto de Desejo •

Quando criança 
chorava & você vinha
objeto de desejo...
Agora
Imploro & castigo
quero & destruo
Possuo sem ter
tenho sem possuir!
Quando criança
era sincero no que fingia
Ainda
finjo & penso ser sincero
Sim! Sério!
Desejo abjeto...




-Facebook 27/10/17

• Sabbah •

Solidão de gênero,
Alcova de toda fertilidade,
Bandeando nos recônditos do frenesi
Até alcançar uma indefinição.
Hoje a noite é de dançar...
....HABASABAH...
Se é mal como defines, com o daimon vamos amar.
Há dias como esse que a própria vida sugere extravasar,
Um chamado da selva, entranhas femininas...
& no descanso que não se alcançará, fazer da pele fria das bruxas
O único incontido repouso,
Porta de retorno ao arcaico...




-Facebook 21/10/17

• αdicção •

Não te esqueci
só parei de pensar
o quanto é insuportável não te esquecer!
Esse caso insano
da minha parte
mais vontade que realidade...
Aqui em espaço público
dos sonhos relevados
sem a vergonha da nudez revelada...
Cada palavra carrega
o anagrama das toneladas
de sentimentos (in)suportáveis...
Como a forma para a luz
o vício para o santo
a brasa para o tronco...
& esse seu nome curto
como memória de drops de hortelã
difícil de sair da boca & do pensamento...
Ninguém esquece
do melhor de sua vida
mesmo que ainda vá acontecer!





-Facebook 16/10/17

• Carrossel •

Só-Risos-Somas-Sorrisos-Zonas-Rizomas-Sorrizomas...
territórios circulares... anquibasias...
Círculo-Circo-Feto-Afetos-Janelas-Anelos-Anel-União... corpo inteiro... orgástico...
Em sua velocidade & ritornelo musical,
O carrossel ciranda apontando o impulso para fora,
O carro, o céu... trânsfugas!




-Facebook 14/10/17

• Cria Sã •

Quando você chegou
com esse rostinho único & de todos,
Uma face que não podia ser qualquer outra,
Combinações que ficaram pelo caminho...
Tinha traços de um passado
indefinido & certeiro,
Lembranças de outras infâncias,
criança que vi crescer
& adultos que apareceram...
Quando você chegou
trazia só essência,
frágeis forças que faziam chorar,
na novidade de uma presença,
até o ser mais forte que te carregou...
Lembro como eu era antes de te conhecer,
despreparado para o afeto,
Criança me fez lembrar
o além do bem & do mal
que há no amor incondicional...
Quando eu cheguei até você
para receber nos braços esse presente,
achei que ali teria muita responsabilidade,
Mas o que uma criança traz
é a loucura da vida & nela a chance de sanidade...
Amar os filhos, reamar os pais...
Tô amando demais
& chorando sem entender
pelas tolas paixões que se apequenaram...
Choro por elas,
que mesmo pequenas, são o caminho
para crer & criar a felicidade na forma de criança...
Quando você chegou dizendo:
-Vem brincar comigo!
& eu te alcancei sem me perder,
Outra vez pude dizer “Sim!”
à criança que nunca deixei de ser...




-Facebook 12/10/17

• Deus Criança •

Zeus pai
raios & trovões
Entrega o filho
Dionisio
vinho & êxtase
Para o sátiro cuidar
Sileno
embriaguez & saber
Dionisio
criança eterna
no excesso cresceu
Em solo heleno
a vinha do desfrute da vida
Criança
transmuta raio em riso
transmuta trovões em troça
embriaguez em descanso
saber em brincadeira
Conhece um deus
Segura-o no colo
& terás transmutado
tua razão & teu coração.




-Facebook 09/10/17

• Plexus •

Tudo que é teu te acha,
não está perdido por aí
o que te pesa...
Nunca se parte & vai
o que é realmente teu,
o que te cabe sentir,
o valor que te tem,
pelo que teu coração pulsa...
Não se pode perder
o que nunca se teve;
Um coração partido,
trincado, estilhaçado,
vale mais no peito
do que a alma vendida
ao preço de tempo,
espaço, suor & sangue...
É a demanda justa
entre a oferenda & a ofensa,
o que se dá & o que guardamos.
Todo peito é alvo de intentos
que deram a volta no mundo
disparados por cada um
rumo a si mesmo...




-Facebook 07/10/17